1.25.2009

Conversão de São Paulo, Apóstolo

Foram tão grandes os benefícios que a Igreja recebeu da poderosa mão de Deus pelo ministério de S. Paulo que, em sinal de agradecimento, quis celebrar particularmente a memória da conversão do glorioso Apóstolo. Estabeleceu, pois, a Igreja uma festa para dar graças a Deus pela conversão deste Apóstolo, pela sua divina vocação e pela sua missão específica de pregar o Evangelho aos Gentios. Saulo, que depois tomou o nome de Paulo, era judeu de nação, da tribo de Benjamim, e tinha nascido em Tarso, capital da Cilícia. Seu pai professava a seita farisaica, isto é, pertencia ao número daqueles judeus que faziam profissão de ser os mais exactos observadores da lei e de seguir a moral mais rígida e severa. Pelo nascimento era ele cidadão romano, por ser um dos privilégios da cidade de Tarso, que era Município de Roma. Os primeiros anos da infância passou-os em Tarso, estudando as ciências gregas, que aí eram ensinadas, do mesmo modo que em Alexandria e em Atenas. Como Saulo fosse dotado de muito engenho e amor ao estudo, seus pais enviaram-no para Jerusalém, onde aprendeu na escola de Gamaliel, célebre doutor de lei, que o instruiu com esmero em tudo quanto pertencia à religião, costumes e cerimónias dos judeus. Não foram infrutuosos os seus estudos; tornaram-no dentro de pouco tempo zelosíssimo na observância da lei, de procedimento irrepreensível, e um dos mais ardentes e obstinados defensores da seita dos fariseus. Zelo tão intenso pelas cerimónias de seus pais não podia deixar de fazer dele um irreconciliável inimigo da religião cristã e como tal se declarou logo. Supõe-se que foi Saulo um dos judeus da Cilícia que se levantaram contra Estêvão e disputaram contra ele. Era olhado como furioso perseguidor dos cristãos, como inimigo jurado de Jesus Cristo. A caminho de Damasco, com o objectivo de prender todos os cristãos que encontrasse, tudo muda: viu baixar uma luz, mais resplandecente que o próprio sol, a qual o cercou. Caindo em terra, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” Então Saulo, mais atónito ainda, perguntou: “Quem sois, Senhor?” E a mesma voz respondeu: “Eu sou Jesus a quem tu persegues: duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.” Saulo replicou: “Senhor, que quereis que eu faça?” E o Senhor respondeu-lhe: “Levanta-te, entra na cidade e aí se te dirá o que convém fazer.” Pela conversão, Saulo percebe que está do lado errado, porque Deus está do lado de Jesus e dos pequenos, dos crucificados, dos perseguidos... E fica cego por três dias, o mesmo tempo que Jesus na escuridão do sepulcro: é o tempo para o nascimento do homem novo. A cegueira é a ocasião propícia do apagamento das suas seguranças para abrir-se ao Evangelho de Jesus, que é o Evangelho dos pobres, dos desprezados, contra todas as hipocrisias e os farisaísmos. Quando diz “ a minha vida é Cristo”, Paulo não se refere a uma experiência puramente mística, mas quer afirmar que ele, pela graça do Espírito, não tem mais uma vida privada ou particular, mas a sua vida, como a de Cristo, é totalmente dedicada às comunidades e à evangelização. (Gl 2, 19-20; Fl 1,21) Paulo é o grande missionário de abertura da Igreja aos “pagãos”: anunciar-lhes a salvação de Cristo e abrir-lhes as portas da Igreja é como “devolver” Deus aos excluídos. É a mesma atitude que Jesus tinha com os excluídos no interior de Israel. São Paulo "Eu sou Jesus, a quem persegues. Mas levanta-te, entra na cidade e ser-te-á dito o que deves fazer" (At 9,5-6) Na contemplação dos heróis do cristianismo, os Santos, chegamos hoje àquele que deu o nome à grande cidade de São Paulo, no Brasil. Foi ele que se transformou em exemplo vivo, para as horas difíceis e decisivas de nossa existência. Comemoramos pois, hoje, com solenidade, a conversão do apóstolo São Paulo. Ele próprio confessa, por diversas vezes, que foi perseguidor implacável das primeiras comunidades cristãs. Por causa disso atribuiu a si mesmo o título de "o menor entre os Apóstolos" e, ainda, de "indigno de ser chamado Apóstolo". Mas Deus, que conhecia a sua rectidão, tornou-o testemunha da morte de Santo Estevão, cena entre todas comovente, descrita nos Actos dos Apóstolos. A visão de Estevão apontando para os céus abertos e Filho do Homem, o Cristo, aí reinando, domina a vida toda do Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso. Além das grandes e contínuas viagens apostólicas e das prisões e sofrimentos por que passou, devemos a este Santo, que se auto-denomina "servo de Cristo", a revelação da mensagem do Salvador, ou seja, as 14 Epístolas ou Cartas. Elas formam como que a Teologia do Novo Testamento, exposta por um Apóstolo. Jamais apareceu outro homem sobre a terra que fundamentasse tão bem a nossa fé em Cristo, presente na História, como também, presente em nossa própria existência. Foi São Paulo quem o fez de maneira insuperável. Toda pessoa é orientada pela Providência de Deus. Mas, também, toda cidade recebe um destino e uma missão que deve cumprir, com o auxílio da graça e com a intercessão dos santos.