10.31.2008

S. Teodósio

11 de janeiro (423-529)
Teodósio, cujo nome significa "um presente de Deus", nasceu na Capadócia, atual Turquia, em 423, de pais ricos, nobres cristãos. Recebeu uma boa e sólida formação desde a infância sendo educado dentro dos preceitos da fé católica. Quando ainda muito jovem, era ele quem fazia as leituras nas assembléias litúrgicas de sua cidade. Um dia, lendo a história de Abraão, identificou-se com ele e descobriu que seu caminho era o mesmo do patriarca, que deixara sua terra para se encaminhar aonde Deus lhe apontava. Teodósio decidiu fazer o mesmo, seguindo inicialmente em peregrinação à Terra Santa, para conhecer os caminhos trilhados por Jesus. Dotado de dons especiais como da profecia, prodígio, cura e conselho, sentiu a confirmação do seu chamado por Deus, ao se encontrar com Simeão, o estilista, outro Santo que havia optado por viver acorrentado e numa torre alta construída por ele mesmo. Simeão que nunca o tinha visto ou conhecido, o chamou pelo próprio nome e o avisou de que Deus o havia escolhido para converter e salvar muita gente. Teodósio entrou então para um convento próximo à Torre de Davi, onde rapidamente foi escolhido para a provedoria de uma igreja consagrada a Nossa Senhora. Mas sentia que aquela não era a sua obra, preferia a vida solitária da comunidade monástica do deserto, como era usual naquela época. Depois, seguindo a orientação de São Longuinho, que o aconselhava em sonhos, foi habitar numa caverna, que segundo dizem fora ocupada pelos Reis Magos ao regressarem de Belém. Alí se entregou às duras penitencias e orações, passando a pregar com um senso de humildade que contagiava a todos que por lá passavam. Logo começou a receber discípulos e outros monges formando uma nova comunidade religiosa cenobítica, isto é, viviam uma vida retirada mas em comunicação servindo a comunidade movidos pelos mesmos interesses, princípios e prerrogativas cristãs. Numerosos discípulos, de diversas nacionalidades, foram atraídos e reunidos por ele. Edificou três conventos, um para os que falavam grego, outro para os eslavos e o terceiro para os de idiomas orientais como hebreu, árabe e persa. Todos nos arredores de Belém. Construiu também três hospitais, um para anciãos, outro para atender todos os tipos de doenças e o terceiro para os que tinham enfermidades mentais. Aliás uma idéia muito nova para essa época e pouco freqüente no mundo inteiro. Além disso ergueu quatro igrejas. Sua fama o levou ao posto de arquimandrita da Palestina, isto é, superior geral de todos os monges. Mas sua atuação contra os hereges acabou por condená-lo ao exílio, por confrontar-se com o Imperador Anastácio. Só quando o imperador morreu é que ele pôde voltar à Palestina reconquistando seu posto de liderança entre os monges. Quando Teodósio morreu, com cento e cinco anos, em 529, seu corpo foi depositado na cova feita por ele mesmo, há muitos anos, naquela gruta onde os Reis Magos dormiram, entre Jerusalém e Belém. Seu enterro foi acompanhado pelo Arcebispo de Jerusalém e muitos cristãos da Cidade Santa assistiram ao seu funeral onde aconteceram inúmeras graças e prodígios, que ainda sucedem no local de sua sepultura, embora tenha sido profanada e saqueada pelos árabes sarracenos. Seu culto se difundiu rapidamente pelo mundo cristão e se mantém ainda hoje muito forte

10.30.2008

S. NICOLAU TOLENTINO

Presbítero agostiniano, Santo1245-1305
A prodigiosa notícia que temos de Santo Nicolau de Tolentino diz que, quarenta anos após sua morte, seu corpo foi encontrado ainda em total estado de conservação. Na ocasião, durante os exames, começou a jorrar sangue dos seus braços, para o espanto de todos. Mesmo depois de muitos anos, estes ferimentos sangravam de tempos em tempos. Esse milagre a ele atribuído fez crescer sua fama de santidade por toda a Europa e se propagou por todo o mundo católico. Apesar de ter nascido na cidade de Castelo de Santo Ângelo, no ano de 1245, foi do povoado de Tolentino que recebeu o apelido acrescentado ao seu nome. Nesta cidade viveu grande parte da sua vida. Desde os sete anos de idade suas preocupações eram as orações, o jejum e uma enorme compaixão pelos menos favorecidos. Nisso se resumiu sua vida: penitência, amor e dedicação aos pobres, aliados à uma fé incondicional no Nosso Senhor e na Virgem Maria. Aos catorze anos foi viver entre na comunidade dos agostinianos de Castelo de Santo Ângelo, como oblato, isto é sem fazer os votos perpétuos, mas obedecendo as regras. Mais tarde ingressou na Ordem e no ano de 1274, foi ordenado sacerdote. Nicolau possuía carisma e dons especiais. Sua pregação era alegre e consoladora na Providência Divina, o que tornava seus sermões empolgantes. Tinha um grande poder de persuasão, pelo seu modo simples e humilde de viver e praticar a fé, sempre na oração e penitência, cheio de alegria em Cristo. Com seu exemplo levava os fiéis à praticar a penitência, a visitar os doentes e encarcerados e a dar assistência aos pobres. Essa mobilização de pessoas em torno do ideal de levar consolo e a palavra de Deus aos necessitados lhe dava grande satisfação e alegria. Em 1275, devido a saúde debilitada, foi para o convento de Tolentino, onde se fixou definitivamente. Alí veio a se tornar um dos apóstolos do confessionário mais significativos da Igreja. Passava horas, repleto de compaixão para todas as misérias humanas. A fama de seus conselhos e santidade trazia para a paróquia fiéis de todas as regiões ansiosos pelo seu consolo e absolvição. A incondicional obediência, o desapego aos bens materiais, a humildade e a modéstia foram as constantes de sua vida, sendo amado e respeitado por seus irmãos da Ordem. No dia 10 de setembro de 1305, ele fez sua última prece e entregou seu espírito nas mãos do Senhor, antes de completar sessenta anos de idade. Foi enterrado na sepultura da capela onde se tornara célebre confessor e celebrava suas missas. O local se tornou meta de peregrinação e os milagres atribuídos à ele não cessaram de ocorrer, atingindo os nossos dias. No ano de 1446 S. Nicolau de Tolentino foi finalmente canonizado pelo Papa Eugênio IV, cuja festa foi mantida para o dia de sua morte

10.29.2008

S. GUIDO DE ANDERLECHT

Leigo, Peregrino, Santoviveu entre os séculos X e XI
Guido de viveu entre os séculos X e XI, nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, ele já demonstrava seu desapego dos bens terrenos, tanto que na juventude distribuiu aos pobres tudo que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também se dedicar às orações e penitência. Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas, seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado. De modo que se convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados. Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade. Depois da longa peregrinação incluindo a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado nesta cidade e sua sepultura se tornou um pólo de peregrinação. Assim com o passar do tempo foi erguida uma igreja dedicada à ele, para guardar suas relíquias. Com o passar dos séculos, a devoção a São Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal. A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros

10.28.2008

Santo Mauro (Amaro)

15 de janeiro (512- 584) Amaro é o nome pelo qual santo Mauro também é conhecido e festejado. Ele nasceu na cidade de Roma, filho único do senador Eutíquio e de Júlia uma rica fidalga, no ano de 512. Aos doze anos, teve um sonho, onde uma voz lhe dizia para entregar sua vida a serviço de Cristo, e assim seria conduzido para o caminho da santidade. Interpretou como um chamado de Deus e comunicou aos pais seu desejo de ingressar num mosteiro. Eutíquio era amigo do abade Bento de Norcia, venerado pela Igreja como o "pai dos monges ocidentais", e conhecia o seu trabalho com os jovens que desejavam estudar e se aprofundar na fé, por isto decidiu que o filho iria para lá . Amaro foi confiado a são Bento, juntamente com seu primo Plácido, de sete anos, que também foi canonizado. Os meninos ingressaram no mosteiro de Subiaco, onde estudaram e aprofundaram sua fé em Deus. Certo dia, o santo abade estava rezando e Amaro executando suas tarefas diárias, quando São Bento teve uma visão do menino Plácido se afogando no riacho onde fôra buscar água. Imediatamente, São Bento chamou Amaro e o avisou que seu primo estava se afogando, mandou que ele corresse para lá e tentasse salvar Plácido, de qualquer forma. Amaro se concentrou de tal maneira agiu tão rapidamente, que nem percebeu que andava sobre as águas daquele riacho, depois puxou o primo pelos cabelos e o levou para a terra firme. Assim, foi que aconteceu o primeiro prodígio de Amaro, que salvou o primo, andando sobre as águas, como fez São Pedro para atender o chamado do Mestre Jesus, andando no mar da Galiléia. Amaro se tornou o discípulo predileto de São Bento e o acompanhou para o mosteiro de Montecassino, quando lá se fixaram, sendo nomeado o primeiro superior e administrador. Sobre Amaro, os registros mostram que era um homem virtuoso, modelo de obediência, humildade e caridade. Em 535 quando São Bento recebeu o convite para abrir um mosteiro sob as suas Regras na Gália, atual França . O escolhido para a missão foi Amaro, que chefiou com outros quatro monges, inclusive Fausto, que escreveu a "Vida de Amaro, abade". O trabalho frutificou tanto que o mosteiro francês deu origem a uma cidade com o seu nome. Muitos anos depois, ele também foi dado à Congregação Beneditina Francesa de Saint Maur, uma das mais importantes instituições católicas pela formação de seus monges, que se expandiu por toda a Europa. O monge Fausto, no seu livro, narrou que Amaro, aos setenta e dois anos, contraiu a peste, epidemia que havia se instalado no mosteiro, levando à morte uma centena de religiosos. Ele agonizou durante cinco meses, morrendo santamente em 15 de janeiro de 584. Foi sepultado na igreja de São Martinho, a mesma em que costumava ir rezar. Atualmente suas relíquias estão na Cripta de a Capela do mosteiro de Montecassino, na Itália. A Igreja o canonizou e a festa de Santo Amaro acontece no dia de sua morte. A partir de 1962, o seu primo passou a ser celebrado junto com ele. O culto de Santo Amaro é muito vigoroso em todo o mundo, principalmente na Europa e na França.

10.27.2008

S. AFONSO MARIA DE LIGUORI

Bispo, Fundador, Santo1696-1787
É o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor ou Padres Redentoristas. Nasceu em Marianela, um povoado nas imediações de Nápoles, em 1696. Amante dos estudos, aos 19 anos já era advogado formado. A sua vida mudou radicalmente quando percebeu a fragilidade dos julgamentos humanos, defendendo culpados e condenando inocentes. Tinha 30 anos quando se fez sacerdote. Passava os seus dias junto aos mendigos da periferia de Nápoles e dos camponeses. Em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, para concretizar o anúncio do Evangelho: "fui enviado para evangelizar os pobres". Entregou-se de corpo e alma a promover a verdadeira vida cristã no meio dos fiéis, especialmente dos mais necessitados. Escreveu várias obras ascéticas e teológicas. Entre as mais conhecidas temos "A Prática do amor a Jesus Cristo", "Preparação para a morte" e "As glórias de Maria". A sua obra mais importante versa sobre teologia moral, assunto no qual é considerado mestre insigne. Foi eleito bispo de Santa Ágata dos Godos, por Clemente XIII, mas devido à idade e ao seu precário estado de saúde pediu ao papa o seu afastamento. Sofreu muitas contrariedades no fim da vida: criticado pelos seus escritos e até mesmo expulso de sua própria Congregação, por causa da má interpretação daquilo que desejava para seus filhos. Morreu em Nocera dei Pagani, Campanha, em 1787.

SANTO ANACLETO

Papa e MártirPontificado - 79 a 92
Santo Anacleto, também conhecido por São Cleto, foi o terceiro Papa da Igreja Católica, portanto, o segundo sucessor de São Pedro na Sé apostólica. Era de origem romana, da família dos pretorianos. Convertido à fé, fez-se discípulo de São Pedro, se bem que por pouco tempo, mas o suficiente para absorver as virtudes angélicas na escola de seu mestre, de forma que destacou-se por seu grande fervor e admirável devoção. Com sua afabilidade, conquistou o coração de todos, tendo especial simpatia mesmo entre os pagãos. São Pedro tanto apreciou Santo Anacleto que, assim como São Lino, o designou para importantes trabalhos apostólicos em Roma e lugares circunvizinhos. Assumiu o trono pontifício logo após o martírio de seu predecessor, São Lino, no ano 79. Da mesma forma, enfrentou as dificuldades, perseguições e constantes investidas, defendendo com muita coragem as causas da Igreja de Cristo. Em todo o império romano, não havia província tão remota e nem rincão tão escondido, que não sentisse os efeitos da sua caridade e preocupação com as necessidades dos cristãos. A uns, socorria com esmolas, a outros, alentava com cartas, e a todos consolava e dirigia com paternais instruções. Ainda que seu rebanho fosse extremamente numeroso, pastoreava os cristãos com extrema vigilância. Ao completar doze anos no governo da Igreja, o imperador Domiciano, inimigo mortal dos cristãos, moveu contra a Igreja uma das mais horríveis e atrozes perseguições. Foram usadas todas as formas de crueldades contra os servos de Cristo. Deflagrou uma verdadeira tempestade que simultaneamente atingiu todos os cantos do império. Tão fulminante foi a ordem de extermínio que, somente em um dia, tombaram milhares de mártires cristãos, cujo sangue correu desde a parte central até às regiões mais longínquas do império. Mas pouco caso o tirano fazia da exterminação do rebanho, pois tomou conhecimento que o Pastor ainda vivia e por isto, concentrou contra ele toda a sua ira. Ordenou aos guardas que fosse encontrado o Pontífice romano, o qual não cessava de percorrer, de dia e de noite, todas as cidades e lugarejos, campinas, grutas e mesmo cavernas, usadas como esconderijo cristão. Na sua peregrinação, Santo Anacleto procurava consolar e assistir os cristãos, durante este duro período. Acabou sendo encontrado e foi arrastado e metido num cárcere, amarrado por cadeias. Grande alegria demonstrou, para admiração de todos, pois nutria o desejo de poder derramar seu sangue por Cristo. O tirano, ainda que impaciente em acabar com a vida do Pontífice, submeteu-lhe a diversos tormentos. Foi, pois, finalmente martirizado no dia 26 de abril de 92. Seus restos mortais encontram-se na Igreja de São Pedro, no Vaticano

10.25.2008

S. RICARDO PAMPURI

Hospitalário, Santo1897-1930
Em 1897, No dia 2 de Agosto, nasce em Trivolzio (Pavia) o décimo e penúltimo filho de Inocente Pampuri e Ângela Campari. Foi Baptizado no dia seguinte com o nome de Hermínio Filippo. Matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Pavia em 1915, mas a 1 de Abril de 1917 inicia o serviço militar, sendo enviado três meses depois para a frente de combate, agregado aos serviços de saúde. No dia 6 de Julho de 1921 alcança a licenciatura em Medicina, com a máxima classificação. Participa numa peregrinação a Lurdes, na companhia dos tios, com paragem em Paray-le-Monial e em Ars. Cresce a ideia de seguir a vida religiosa, com o auxílio do P. Ricardo Beretta, seu conhecido desde 1923. A 6 de Junho de 1927 pede ingresso na Ordem Hospitaleira de São João de Deus. No dia 22 de Junho entra na Ordem como postulante e no dia 21 de Outubro ingressa no noviciado e toma o nome de Ricardo. Faz os votos temporários no dia 24 de Outubro de 1928. É encarregado do gabinete de dentista. Em Agosto de 1929 agravam-se as suas condições de saúde. Morre em Milão, no dia 1 de Maio de 1930, com 32 anos. No dia 4 realiza-se o funeral. É aberto o processo de canonização em 1949. Os restos mortais de Fr. Ricardo são exumados e transferidos para a igreja paroquial de Trivolzio em 1951. No dia 4 de Outubro de 1981 é declarado Beato. A 1 de Novembro de 1989 é inscrito no catálogo dos Santos. Cronologia da vida de São Ricardo 1897: Erminio Pampuri nasce em Trivolzio, na província de Pavia (Itália), em 2 de agosto. 1900: Sua mãe morre e ele tem que se mudar para a casa do avô materno, em Torrino, perto da cidade natal. 1915: Depois de ter terminado o ensino médio no Colégio Santo Agostinho de Pavia, se inscreve na Universidade de Pavia no curso de Medicina e Cirurgia. 1917: Com o advento da Primeira Guerra Mundial, precisou interromper os estudos. De fato, foi alistado e designado ao hospital de campo em Malonno, em Val Canonica, na província de Brescia. 1921: Inscreve-se na Terceira Ordem de São Francisco. Em julho faz os votos plenos e começa a exercitar a profissão de médico municipal em Morimondo. 1925: Erminio conhece padre Ricardo Beretta, sacerdote que se tornará determinante nas suas escolhas futuras. Ele o apresenta, dois anos mais tarde, a padre Zaccaria Castelletti, administrador dos Irmãos de Caridade da Província lombardo-vêneta. Graças a este encontro, Pampuri deixa Morimondo para se instalar na Casa dos Irmãos de Caridade de Milão. 1927: Em julho, deixa a casa de Milão para transferir-se ao hospital Santa Úrsula, de Brescia. Em outubro do mesmo ano, começa o noviciado em Brescia para entrar na Ordem Hospitaleira de São João de Deus (Irmãos de Caridade), assumindo o nome de frei Ricardo. 1928: Faz os votos religiosos com a Profissão simples. 1929: Com a saúde frágil, contrai uma pleurite. Os seus superiores o enviam, por isso, a Gorizia, para se recuperar. 1930: Aparentemente restabelecido, volta a Brescia. Mas o mal se manifesta novamente e é levado a Milão. Morre no dia 4 de maio. 1954: É aberto o processo de canonização no Tribunal Eclesiástico de Gorizia por uma cura dita milagrosa. 1962: No mesmo processo é acrescentado o relato de um nova cura milagrosa no Tribunal Eclesiástico de Milão. 1978: No dia 12 de junho o Santo Padre Paulo VI declara Venerável o Servo de Deus Frei Ricardo Pampuri. 1981: Em 30 de março, João Paulo II proclama o Decreto que aprova os dois milagres apresentados para a beatificação. O primeiro foi a cura do senhor Adeodato Comand "relativamente instantânea, duração perfeita, não explicável naturalmente quoad modum", ocorrida em 18 de maio de 1952. O segundo milagre foi a cura do senhor Ferdinando Michelini em 16 de setembro de 1959, "extraordinariamente rápida, completa e duradoura, não explicável quoad modum", da "peritonite aguda generalizada". Em 4 de outubro do mesmo ano, João Paulo II proclama Beato o Venerável Frei Ricardo Pampuri. 1989: No dia 1º de novembro é canonizado por João Paulo II. O milagre apresentado para a canonização foi a cura de um rapaz espanhol de dez anos com a restauração da visão do olho esquerdo, fato não explicável pelos conhecimentos médicos.

Santa Quitéria (igreja-basílica )

A Igreja-Basílica de Santa Quitéria, de Meca, é talvez a mais bela Igreja do concelho de Alenquer, nos estilos neoclássico e barroco. Foi mandada construir em 1757 pela Confraria de Santa Quitéria, sob protecção da Rainha D.Maria I, que a considerou Igreja Real e promoveu a sua consagração à Igreja de S.João de Latrão, de Roma. Foi concluída em 1799. Conta a tradição, que uma imagem, reconhecida como sendo Santa Quitéria, foi encontrada na Quinta de S.Brás em 1238 e recolhida pelo pároco da Igreja da Várzea. Meca era e foi até 1660, curato anexo à freguesia de Santa Maria da Várzea e só passou a paróquia independente, com título de priorado a partir de 1663. Santa Quitéria viveu, segundo a tradição, no século II, no tempo do Imperador Romano Adriano. Era filha de pais ilustres mas idólatras. Foi abandonada pela mãe, mas recolhida por uma devota cristã que a educou. A defesa do Cristianismo, por que pugnou, na sua vida e época, custou-lhe a perseguição e o martírio. A falta de documentação, fez criar um cariz lendário à sua vida, tendo sido venerada no século XV (1400-1500) por quase toda a Europa. É considerada a padroeira e protectora do gado, nas curas da raiva ou hidrofobia dos animais (horror à água). Tendo sido construída uma ermida , na época da aparição da imagem desta Santa, as curas operadas aos que iam em peregrinação a Meca, fizeram movimentar o lugar, formando-se uma Irmandade que se constituiu, talvez entre 1700 e 1715, na Confraria de Santa Quitéria, que veio a tornar-se numa das mais ricas de Portugal. A ermida ficou destruída com o terramoto de 1755 e em seu lugar lançaram-se oa alicerces da actual Basílica, no ano que já indicamos. A arquitectura neoclássica da Basílica assenta nas raízes da engenharia do Convento de Mafra e regista semelhanças estilisticascom a Basílica da Estrela e a Igreja de Santo António da Sè (Lisboa). As cúpulas das torres e o frontão com a cruz de pedra obedecem ao desenho do estilo barroco. A frontaria da Basílica tem seis pilastras com capiteis jónicos. Estas pilastras apoiam na parte média, os três janelões gradeados com o feitio de três simuladas varandas. Ao nivel da entrada há três altos p orticos formando uma espaçosa galeria de acesso à porta principal. Na parede e lado esquerdo há uma placa sobre a data da aparição da imagem dizendo que 750 anos depois a mesma imagem esteve em cada lugar da paróquia, durante uma semana, participando o povo cristão, o bispo D.Josè Policarpo, as Irmãs Franciscanas M.M. e o pároco Padre Dr. Inácio F. Belo; data desta lápide - 1989. As duas torres sineiras ladeiam um frontão, já referido, com a grande cruz de pedra. Esse frontão possui arcos contracurvados de quase um quarto de ogiva, tendo ao centro um óculo de 4 curvaturas de semi-circunferência. À direita e à esquerda há 2 fogaréus, assim como mais quatro no cimo das torres, esculturas de pedra em símbolo de pira, querendo, talvez, simbolizar a queima em fogueira dos mártires, tal como teria acontecido a Santa Quitéria. No interior a nave é seccionada por pares de pilastras de estilo coríntio. Nas paredes laterais há quatro altares com vãos de arcos redondos ladeados por colunas encimadas por frontões. O tecto é emforma de berço e trabalhado com madeira de tela, pintado em tons de cinza, verde e dourado dando a impressão de relevos, contendo medalhões com cenas da vida e martírio de Santa Quitéria, com as seguintes representações: Santa Quitéria e o Anjo Gabriel; Santa Quitéria no Monte Pombeiro; Santa Quitéria na corte de Luciano; A Conversão das Sentinelas do Cárcere e O Martírio de Santa Quitéria. Pinturas que denunciam os estilos rócócó e neoclássico. São atribuídas ao pintor José Antonio Narciso (1731-1811), e executadas já nos últimos anos de sua vida, portanto depois de 1800. Já depois disso elas foram restauradas por Abel Moura em 1960. Na abóboda do cruzeiro ( ou transepto) estão pintados os quatro evangelistas: S.Mateus; S.Marcos; S.Lucas; S.João. São atribuídas ao pintor Pedro Alexandrino que também pintou paineis para a Sé de Lisboa e para a Basílica da Estrela. A tela com o tema "A Última Ceia" num altar do cruzeiro, tem a sua assinatura e a outra de "A Pregação de S.João Baptista", também a ele lhe é atribuída. A sacristia está adossada à fachada posterior da capela-mor. Possui as paredes decoradas e o tecto é pintado com arquitecturas de perspectiva. Este tipo de pintura que dá uma sensação de profundidade em altura, poderá levar a pensar-se que ela estaria inicialmente destinada para uma sala mais alta. As colunas interiores encostadas aos quatro altares atrás referidos, são de pedra "brecha negra" que segundo uilherme João Carlos Henriques, veio de uma pedreira que existiu em Monte Redondo, o mesmo tipo de pedra que fora utilizado no retábulo da Capela de Santo António, da Quinta de Abrigada. O dia 22 de Maio é dedicado a Santa Quitéria, pelo calendário cristão. No passado todos os anos em Maio, Meca enchia-se de romeiros provenientes de toda a parte, em especial, com devotos do concelho de Alenquer. O escritor Francisco Câncio, no seu livro "O Ribatejo" descreve de forma pitoresca e bucólica: ... " a estrada é uma maravilha, e por toda ela se encontram galeras de muares e cavalos, charretes, carroças e burrinhos, com gente simples a caminho da Santa, como nesta região se diz.Enfeitam-se os cavalos com fitas, o nastro bento, para que não sejam atacados pela raiva. Passam a abarrotar de gente, camionetes das de carga, com os bancos dispostos por forma a transportar o maior número de passageiros. Há quem saia de casa, de véspera, ao começo da noite, quando os sinos ticam as Avé-Marias. É uma noite inteira de marcha por veredas e azinhagas. O tocador de harmónio, os férrinhos, as guitarras e violas acompanham os ranchos sempre a tocar e a cantar. Os carros, conforme vão chegando, colocam-se lado uns dos outros, nos dois lados do caminho ou da alameda. Desengatam-se as alimárias, tapam-se com grandes mantas(porque os animais vêm suados) e na frente colocam-se as grandes alcofas com a ração. Frente ao cruzeiro da Igreja, davam-se três voltas, onde o Senhor Padre, Paramentado, de caldeirinha e hissope na mão, lança pingos de água-benta sobre os animais. A missa começava pelas duas horas da tarde e a Igreja regorgitava de gente; a meio da tarde sai a procissão. Os sinos badalam e o seu som ecoa pelos campos verdes das colinas. Para a juventude, em Maio e na Primavera, em plena florescência, a romaria de Santa Quitéria é um congresso de amor, em que os olhos falam, as almas sentem eos lábios beijam. É depois, hora de aconchegar os estômagos; há barracas de petiscos, de comes e bebes e de frangos no churrasco; há vendas com queijadas de Sintra e barraquinhas de tiro. Apareciam também, os retratistas, para as pessoas e grupos tirarem retratos de lembrança para a posteridade. Outro efeito muito colorido era dado pelos arranjos feitos em varas de cana que eram rachadas em cruz de cima para baixo, e por essas rachas introduziam-se pares ou brincos de cerejas formando as "rocas de cerejas" que os peregrinos agarravam na parte inferior da cana. Na grande Alameda há um cruzeiro e nele está inscrito ter sido mandado erigir pelo Administrador João Vicente, em 22 de Maio de 1869, portanto no dia de Santa Quitéria, e há 131 anos. Vivia-se no reinado de D.Luis I, que acabou com a escravatura e a pena de morte em Portugal. Há também, à entrada da Alameda, do lado direito, um chafariz, hoje quase desactivado e pouco protegido, com reduzido fio de água a correr para um tanque rectangular. Este chafariz tem a seguinte inscrição: " com as esmolas dos devotos e confrades da glorioza Santa Quitéria se fez esta para cómodo dos romeiros que à sua Igreja a vêm venerar"

10.20.2008

Santa Úrsula

Santa Úrsula é talvez uma das mais populares santas da idade média As historias envolvendo Santa Úrsula se originaram em uma inscrição encontrada na cidade de Colônia, Alemanha em 1.155 e datada do quinto século. A inscrição declara que um certo Clematius tinha restaurado uma antiga igreja em um local onde varias virgens foram assassinadas. Somando-se a isto, menções as virgens são feitas em um sermão datado do oitavo século e coloca Úrsula como a líder do grupo e assegura que elas foram assassinadas durante as perseguições aos cristãos na era do Imperador Maximiano (285-305). Segundo a versão mais clássica, Úrsula era filha de um rei da Inglaterra e seu pai impôs a ela para futuro esposo, um nobre cristão chamado Etério que era proprietário de terra na Bretanha francesa. Ali Eterio queria estabelecer com seus soldados também cristãos um povoado e por esse motivo pediu ao rei da Inglaterra que mandasse sua noiva Úrsula e 100 virgens para se casarem com os soldados solteiros. Durante a travessia foram vitimas de violenta tempestade que desviou a embarcação para os Países Baixos e dali Úrsula e suas companheiras navegaram pelo Rio Reno para chegar a cidade de Colônia. Desafortunadamente, encontraram bárbaros unos que as agrediram e as martirizaram. Os corpos das mártires foram sepultados por cristãos de Colônia, onde erigiram uma igreja dedicada a Santa Úrsula e suas companheiras.

Santa Serafina

Nasceu em San Geminiano, Toscana, Itália. Nasceu pobre mas conseguiu se educar. Uma garota bonita ela vivia como eremita em sua propria casa, fazendo os afazeres domesticos e dando aos pobres tudo que ela podia, costurando e orando todas as noites. Seu pai morreu quando ela era muito jovem. Logo depois ela contraiu uma paralizia rara que ela não podia fazer quase nenhum movimento. Ela tinha que ser carregada para onde ia sobre uma tábua. Ela viveu o resto de sua vida em constante sofrimento mas nunca reclamava e devotava sua vida a Deus nas suas constantes orações. Nunca entrou para uma Ordem mas vivia sob a regras dos beneditinos. Devotada a São Gegorio,o magno. Ela recebeu certa vez uma visão dele avisando-a da data de sua morte. Enquanto doente ela fez vários milagres alguns dos quais estão ilustrados nos afrescos de Domenico Ghirlandaio no Collegiata. Por exempo ela restaurou a vista de um menino cego. Quando ela faleceu, os sinos da cidade passaram a tocar espontaneamente, seu quarto ficou cheio de flores e uma chuva de flores caiu da torre da igreja da cidade. Após sua morte, sua enfermeira tocou em sua mão e ficou curada e uma seria doença. Faleceu em 12 de março de 1253. Seu túmulo se tornou local de peregrinação e vários milagres foram cerditados a sua intecessão. Ela é tambem invocada na Itália como Santa Fina

Santa Rosa de Lima

Rosa de Lima é a padroeira do Peru, da América do Sul, foi um membro da Ordem Terceira de São Francisco como Terciária dominicana e é a primeira santa das América. Nasceu como Mariana de Jesus Paredes y Flores, em Lima Peru. Tomando o nome de Rosa em 1597 na sua confirmação(diz a lenda que na sua infância sua face teria sido transformada em uma rosa). Ela cuidava de flores e fazia rendas e brocados para se sustentar e ajudar a sua pobre família, mas sempre tinha em foco sua via espiritual. Tornando-se uma dominicana em 1606 ela sofreu duras perseguições de sua família e amigos pela sua recusa em se casar e seus votos de perpetua virgindade. Ao mesmo tempo, ela fez vários atos de mortificação e penitencia dando-se totalmente a Virgem Maria, Jesus e aos Sagrados Sacramentos. Santa Rosa, que foi contemporânea de São Martinho dos Pobres e Santo Toríbio de Mongrovejo, nasceu em Lima, em 1586. Mudou seu nome de Isabel por Rosa, que recebeu em sua confirmação, nas serras de Lima, das mãos de Santo Toríbio e, depois, acrescentou o nome de Santa Maria por causa de sua filial devoção Mariana. Aquela que seria Santa Rosa de Santa Maria, desde criança, se dedicou a uma vida de oração e serviço, sacrificando ao próximo, em especial, aos mais pobres e aos enfermos. Vestiu o hábito da Terceira Ordem de São Domingos. Jejuando rigorosamente, comungando diariamente passava horas orando e com terrível desolação e penitencia. Sempre dizia que iria morrer("dia de minhas núpcias eternas") no dia de São Bartolomeu e na verdade veio a falecer no dia 24 de agosto 1617 (dia do santo) com 31 anos de idade. Ofereceu sua penitencia ao Senhor e as almas do Purgatório. Logo após a sua morte, seu túmulo tornou-se local de peregrinações e vários milagres são creditados a sua intercessão. O Papa Clemente IX (1667-1669) a beatificou em 1668. Foi canonizada pelo Papa Clemente X (1670-1676) em 1671. Ela foi a primeira americana canonizada e tinha grande preocupação com os nativos do Peru e pelos escravos no Novo Mundo e isto fez com que ela fundasse uma instituição destinada ao cuidar dos pobre e índios do Peru

S .BERNARDINO DE SENA

Franciscano, Santo1380-1444
Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo. Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado "observância", que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância. Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas freqüentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que "renegam a Deus por uma cabeça de alho" e pelas "feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres". Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS — Jesus Salvador dos Homens — entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar. As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos sessenta e quatro anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar. Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo.

10.19.2008

S. LEONARDO MURIALDO

Sacerdote salesiano, Fundador, Santo(1828-1900 Leonardo Murialdo nasce em Turim no ano de 1828, oitavo filho de uma família rica. Órfão de pai com apenas quatro anos, recebe, contudo uma ótima educação cristã no colégio dos Escolápios de Savona. Na juventude, atravessa uma profunda crise espiritual que o levará à conversão e à descoberta da vocação sacerdotal. Inicia em Turim os estudos filosóficos e teológicos. Começa a trabalhar, nesses anos, no oratório do Anjo da Guarda, dirigido pelo primo, o teólogo Roberto Murialdo. Graças a essa colaboração toca com as mãos as problemáticas da juventude de Turim: meninos de rua, encarcerados, limpadores de chaminés, serventes de bar. Em 1851 é ordenado sacerdote. Começa a trabalhar em estreito contato também com o Padre Cafasso e com Dom Bosco, e deste último aceita a direção do Oratório São Luís. Leonardo respira o sistema preventivo, encarna-o e aplica-o em todas as suas futuras obras educativas. Em 1866 aceita a direção do Colégio Pequenos Artesãos de Turim, dedicado à acolhida, à formação humana, cristã e profissional de jovens pobres e abandonados. Faz inúmeras viagens pela Itália, França e Inglaterra para visitar instituições educativas e assistenciais, para aprender, confrontar e melhorar o próprio sistema educativo. Figura entre os promotores das primeiras bibliotecas populares católicas e da União dos Operários Católicos, de que será por longos anos assistente eclesiástico. Em 1873, com o apoio de alguns colaboradores, funda a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Sua finalidade apostólica é a educação da juventude, especialmente pobre e abandonada. Abre oratórios, escolas profissionais, casas-família para jovens trabalhadores e colônias agrícolas, aprofunda o seu trabalho nas associações leigas, especialmente no campo da formação profissional dos jovens e da boa estampa. Seu lema: Fazer e calar. Foi homem de espírito e de oração, contemplativo na ação como Dom Bosco. Por volta de 1884 foi atingido por diversos ataques de broncopneumonia: Dom Bosco foi dar-lhe uma bênção e, apesar das provações e perturbações, viveu ainda até 1900. Paulo VI proclamou-o Beato em 1963 e santo em 3 de maio de 1970. A perda do pai em tenra idade levou Leonardo também a ser pai e guia dos jovens que o Senhor lhe quis confiar. A sua vida, o seu estilo e a sua ação colocam-no ao lado do seu amigo e modelo São João Bosco. Beatificado em 1963Canonizado em 3-5-1970

BEATO ANTÓNIO MARIA SCHWARTZ

Sacerdote piarista, Beato1852-1929
Anton, para nós António nasceu na humilde e cristã família Schwartz, no dia 28 de fevereiro de 1852, em Baden, Áustria Era o quarto dos treze filhos, seu pai era um simples operário, sem profissão definida, enquanto sua mãe cuidava da casa e dos filhos, que estudavam na escola paroquial dessa cidade. Aos quinze anos ficou órfão de pai, vivendo uma grave crise pessoal, que durou dois anos. Em 1869, recuperado, foi estudar na escola popular gratuita dos padres piaristas. Alí conheceu a obra do fundador São José Calasanz, tornando-se um seu devoto extremado. Mas três anos depois, as atividades das escolas pias e da própria Ordem, foi suspensa na Áustria. Para completar sua formação, ingressou no seminário diocesano, pois queria seguir a vida religiosa. Nessa época passou por duas graves enfermidades, ambas curadas, segundo ele, por intercessão de Nossa Senhora. Em 1875 ordenou-se sacerdote e assumiu o segundo nome. O Padre António Maria Schwartz foi capelão por quatro anos, depois viajou à Viena, para promover assistência espiritual aos doentes nos hospitais das Irmãs da Misericórdia de Schshaus. Além disso, começou a orientar na religião, os operários e os jovens aprendizes em formação profissional. Tomando como base suas raízes humildes, percebeu as necessidades desses operários. Para lhes proporcionar apoio e orientação, fundou a "União dos aprendizes católicos sob a proteção de São José Calasanz", empreendendo uma intensa atividade pastoral. Sem, contudo, ter abandonado a assistência que prestava aos doentes nos hospitais. Após quatro anos pediu ao Cardeal de Viena que apoiasse essa Obra, mas este mostrou que não tinha com que financia-la. Por isso Padre António Maria adoeceu literalmente, tanto que precisou dos cuidados as Irmãs da Misericórdia. Dois anos. Esse foi o tempo necessário para o Cardeal dar seu apoio e ajuda, permitindo que ele ficasse apenas com o apostolado junto aos operários e aprendizes. Padre António Maria recuperou o entusiasmo e com total dedicação, em 1888 criou o "Artesanato cristão", um jornal para os artesãos e operários, que escreveu durante um longo tempo sozinho. Também buscou e conseguiu os meios para construir a primeira "igreja para os operários de Viena", um templo humilde e escondido pelas casas populares. Foi nessa igreja que, para melhor assisti-los fundou, a "Congregação dos Pios Operários", adotando a regra de São José de Calasanz, ainda hoje florescente. Ele vivificou sua Obra com valentia cristã durante quarenta anos. O "Apóstolo Operário de Viena" que dividia opiniões permaneceu sempre fiel a si mesmo e à Igreja de Cristo. Seus passos foram corajosos e chegou ao Parlamento, para conseguir lugares de formação profissional para os jovens e para o justo repouso dominical dos operários. Morreu em 15 de setembro de 1929, em Viena, Áustria. O Papa João Paulo II o proclamou Beato António Maria Schwartz, em 1998, designando a data da morte para a homenagem litúrgica

BEATA EUSÉBIA PALOMINO YENES

religiosa, bem-aventurada1899-1935 Eusébia Palomino Yenes nasce no crepúsculo do século XIX ― no dia 15 de dezembro de 1899 ― em Cantalpino, pequena cidade da província de Salamanca (Espanha) numa família rica de fé quanto escassa de meios. Papai Agustín, que todos recordam em seu aspecto humilde, homem de grande bondade e doçura, trabalhador braçal não fixo a serviço de grandes proprietários rurais dos arredores, e mamãe Juana Yenes cuida da casa com os quatro filhos. Quando o campo repousa no inverno e falta trabalho, o pão escasseia. Então, papai Palomino vê-se obrigado a pedir ajuda à caridade dos outros pobres nas cidadezinhas da região. Às vezes, acompanha-o a pequena Eusébia, de sete anos apenas, ignara do custo de certas humilhações: ela goza daquelas caminhadas pelos atalhos campestres, e saltita alegremente junto do papai que a faz admirar as belezas da criação e da luminosidade da paisagem de Castela tira argumentos catequéticos que a encantam. Depois, tendo chegado a um casario, sorri às boas pessoas que os acolhem e pedem “um pão por amor de Deus”. O primeiro encontro com Jesus na Eucaristia aos oito anos de idade dá à menina uma surpreendente percepção do significado de pertença, de oferecer-se totalmente como dom ao Senhor. Muito cedo deve deixar a escola para ajudar a família e, depois de ter dado provas de precoce maturidade em cuidar ― ainda criança ela mesma ― das crianças de algumas famílias do lugar enquanto os pais estão no trabalho, aos doze anos vai para Salamanca com a irmã mais velha e se coloca a serviço de uma família como babá-faz-de-tudo. Aos domingos à tarde, frequentando o oratório festivo das Filhas de Maria Auxiliadora conhecem as irmãs, que decidem pedir a cooperação delas na ajuda à comunidade. Eusébia aceita mais do que de boa vontade e se coloca logo a serviço: ajuda na cozinha, carrega a lenha, pensa na limpeza da casa, estende a roupa no grande pátio, acompanha o grupo das estudantes da escola estatal e faz outros serviços na cidade. Sua posição é, sem dúvida, a de uma empregada, uma criada sempre disponível, com serenidade e garbo, a qualquer exigência da comunidade ou das jovens hóspedes. Algumas dessas estudantes, quase da sua idade, intuem em seu sorriso mesmo trabalhando, a força de um espírito vigorosamente ancorado numa esfera superior; os breves encontros – muitas vezes buscados entrando abusivamente na cozinha – transformam-se muitas vezes em ocasiões de catequese eficaz. Falando com aquela humilde empregada as jovens percebem o seu ardor eucarístico que se exprime em solicitude generosa pelo bem espiritual de cada uma; procuram-na para dela escutarem palavras que percebem derivadas de “uma vida santa, extraordinária”. Dir-se-ia dela – observam – uma pessoa muito instruída em matéria religiosa e teológica. Mas, mais ainda do que suas palavras, e a sua vida que fala. O desejo secreto de Eusébia, de consagrar-se inteiramente ao Senhor acende e substancia agora mais do que nunca todas as suas oração, todas as suas acções. Diz ela: “Se faço com diligência os meus deveres, agradarei à Virgem Maria e conseguirei um dia ser sua filha no Instituto”. Não ousa pedi-lo, devido à sua pobreza e falta de instrução; acha-se indigna dessa graça: é uma congregação tão grande – pensa. A Superiora visitadora à qual se confiou, acolhe-a com afecto materno e bondade e lhe garante: “Não te preocupes com nada”. E, de bom gosto, em nome da Madre Geral, decide admiti-la. Inicia o noviciado em preparação à profissão no dia 5 de agosto. Horas de estudo e de oração alternadas à de trabalho marcam as jornadas de Eusébia, que está no auge da alegria. Dois anos depois – 1924 – faz os votos religiosos que a vinculam ao amor do seu Senhor. É enviada à casa de Valverde del Camino, pequena cidade que conta, na época, com 9.000 habitantes, no extremo sudoeste da Espanha, região mineira da Andalusia perto dos limites com Portugal. As jovens da escola e do oratório, no primeiro encontro, não ocultam uma certa desilusão: a recém-chegada é uma figura muito insignificante, pequena e pálida, não bela, com mãos grossas e, além do mais, não tem um nome bonito. Na manhã seguinte, a pequena irmã está em seu posto de trabalho: um trabalho multiforme que a ocupa na cozinha, na portaria, na rouparia, no cuidado da pequena horta e na assistência às meninas do oratório festivo. Alegra-se por “estar na casa do Senhor todos os dias da vida”. É esta a situação “real” de que sente honrado o seu espírito, que habita as esferas mais altas do amor. As pequenas são logo cativadas por narrações de fatos missionários, ou vida de santos, ou episódios de devoção mariana, ou factos de Dom Bosco, que recorda graças a uma feliz memória e sabe tornar atraentes e incisivos com a força do seu sentimento convicto, da sua fé simples. Aos poucos, unem-se às crianças também as adolescentes mais molecas, as jovens mais críticas e sofisticadas, que percebem junto daquela freirinha um fascínio inexplicável, uma irradiação de santidade que as transfere para uma realidade desconhecida. E já se fala explicitamente de santidade, também fora do oratório. No pátio chegam, e se detêm com interesse, também os pais das oratorianas, outros adultos, depois os jovens seminaristas em busca de conselhos. Em seguida serão também os sacerdotes a recorrerem àquela humilde freira, desprovida de doutrina teológica, mas com o coração transbordante da sabedoria de Deus. Tudo em Ir. Eusébia reflecte o amor de Deus e o desejo intenso de fazê-lo amar: suas jornadas operosas são transparência contínua disso e o confirmam os temas predilectos de suas conversas: em primeiro lugar, o amor de Jesus por todos os homens, salvos pela sua Paixão. As santas Chagas de Jesus são o livro que Ir. Eusébia lê todos os dias, e de onde tira pontos didácticos através de uma simples “coroinha” que aconselha a todos, também com frequentes acenos. Em suas cartas, faz-se apóstola da devoção ao Amor misericordioso segundo as revelações de Jesus à religiosa lituana – hoje Santa – Faustina Kowalska, divulgadas na Espanha pelo dominicano Padre Juan Arintero. O outro “pólo” da piedade vivida e da catequese de Ir. Eusébia é constituído pela “verdadeira devoção mariana” ensinada por São Luís M. Grignon de Montfort. Será essa a alma e a arma do apostolado de Ir. Eusébia em todo o arco da sua breve existência: destinatários são os meninos, meninas, jovens, mães de família, seminaristas, sacerdotes. “Talvez não tenha havido em toda a Espanha – diz-se nos Processos – um único Pároco que não tenha recebido uma carta de Ir. Eusébia a respeito da escravidão mariana”. Quando, nos inícios dos anos 30, a Espanha vai entrando nas convulsões da revolução pela raiva dos sem-Deus votados ao extermínio da religião, Ir. Eusébia não hesita em levar às extremas consequências o princípio de “disponibilidade”, literalmente pronta a despojar-se de tudo. Oferece-se ao Senhor como vítima pela salvação da Espanha, pela liberdade da religião. A vítima é aceita por Deus. Em agosto de 1932, um mal-estar improviso e os primeiros sintomas. Depois, a asma, que em momento diversos a tinha perturbado, começa agora a atormentá-la até chegar aos níveis de intolerabilidade, agravada de modo insidioso por variados mal-estares. Nesse tempo, visões de sangue afligem Ir. Eusébia mais ainda do que os males físicos inexplicáveis. Em 4 de outubro de 1934, enquanto algumas irmãs rezam com ela no pequeno quarto do seu sacrifício, ela se interrompe e empalidece: “Rezai muito pela Catalunha”. É o momento inicial daquela sublevação operária nas Astúrias e da catalã em Barcelona (4-15 de outubro de 1934) que serão chamadas de “antecipação reveladora”. Visão de sangue também para a sua querida directora, Ir. Carmen Moreno Benítez, que será fuzilada com uma outra Irmã em 6 de setembro de 1936: após o reconhecimento do martírio, ela foi declarada beata. Entretanto as doenças de Ir. Eusébia se agravam. O médico que a cura, admite não saber definir a doença que, agregada à asma, encarquilha os membros tornando-a como um novelo. Quem a visita sente a força moral e a luz de santidade que irradia daqueles pobres membros doloridos, deixando absolutamente intacta a lucidez do pensamento, a delicadeza dos sentimentos e a gentileza no trato. Às Irmãs que a assistem promete: “Voltarei para dar as minhas voltinhas”. No coração da noite de 9 para 10 de fevereiro de 1935 Ir. Eusébia parece adormentar-se serenamente. O dia inteiro seus frágeis despojos, enfeitados com muitíssimas flores, são visitados por toda a população de Valverde. Entre todos retorna a mesma expressão: “Morreu uma santa”. O governo municipal, politicamente “vermelho”, decreta por unanimidade a oferta gratuita de um lóculo “in perpetuo” para essa concidadã, em consideração pelos “relevantes merecimentos de virtude” e pela dedicação desinteressada à educação das crianças mais pobres. No Boletim paroquial de março de 1935, o artigo comemorativo traz o título Entierro de una santa. Escreve-o o Pároco, que conclui: “A sua sepultura será gloriosa

10.17.2008

Santa Josefina Bakhita

Religiosa sudanesa da Congregação das Filhas da Caridade (Canossianas). Irmã Josefina Bakhita nasceu no Sudão (África), em 1869 e morreu em Schio (Vicenza-Itália) em 1947.
Flor africana, que conheceu a angústia do rapto e da escravidão, abriu-se admiravelmente à graça junto das Filhas de Santa Madalena de Canossa, na Itália. A irmã morena Em Schio, onde viveu por muitos anos, todos ainda a chamam«a nossa Irmã Morena». O processo para a causa de Canonização iniciou-se doze anos após a sua morte, e no dia 1 de dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes. A Providência Divina que «cuida das flores do campo e dos pássaros do céu», guiou esta escrava sudanesa, através de inumeráveis e indizíveis sofrimentos, à liberdade humana e àquela da fé, até a consagração de toda a sua vida a Deus, para o advento do Reino. Na escravidão Bakhita não é o nome recebido de seus pais ao nascer. O susto provado no dia em que foi raptada, provocou-lhe alguns profundos lapsos de memória. A terrível experiência a fizera esquecer também o próprio nome. Bakhita, que significa «afortunada», é o nome que lhe foi imposto por seus raptores. Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, capital do Sudão, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão. Rumo à liberdade Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada por um Cônsul italiano, o senhor Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote ao lhe dar ordens mas, ao contrário, era tratada com maneiras afáveis e cordiais. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade, carinho e momentos de alegria, ainda que sempre velados pela saudade de sua própria família, talvez perdida para sempre. Situações políticas obrigaram o Cônsul a partir para a Itália. Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Cônsul, o senhor Augusto Michieli. Na Itália Chegados em Gênova, o senhor Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do senhor Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim ela seguiu a nova família para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filhinha do casal, Bakhita se tornou para ela babá e amiga. A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do senhor Michieli, dona Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho de seu administrador, Iluminado Checchini, a criança e Bakhita foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que, a seu pedido, Bakhita, veio a conhecer aquele Deus que desde pequena ela «sentia no coração, sem saber quem Ele era». «Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem». Filha de Deus Depois de alguns meses de catecumenato, Bakhita recebeu os Sacramentos de Iniciação Cristã e o novo nome de Josefina. Era o dia 9 de janeiro de 1890. Naquele dia não sabia como exprimir a sua alegria. Os seus olhos grandes e expressivos brilhavam revelando uma intensa comoção. Desse dia em diante, era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: «Aqui me tornei filha de Deus!». Cada novo dia a tornava sempre mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão. Quando dona Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão e coragem fora do comum, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. A jovem africana, agora maior de idade, gozava de sua liberdade de ação que a lei italiana lhe assegurava. Filha de Madalena Bakhita continuou no Catecumenato onde sentiu com muita clareza o chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao Senhor, no Instituto de Santa Madalena de Canossa. A 8 de dezembro de 1896, Josefina Bakhita se consagrava para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho «O meu Patrão!». Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações na casa de Schio. De fato, ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Quando se dedicou a este último serviço, as suas mãos pousavam docemente sobre as cabecinhas das crianças que, diariamente, freqüentavam as escolas do Instituto. A sua voz amável, que tinha a inflexão das nênias e das cantigas da sua terra, chegava prazerosa aos pequeninos, reconfortante aos pobres e doentes e encorajadoras a todos os que vinham bater à porta do Instituto. Testemunha do Amor A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. «Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!». Chegou a velhice, chegou a doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: «Como o Patrão quer». A última prova Na agonia reviveu os terríveis anos de sua escravidão e várias vezes suplicava à enfermeira que a assistia: «Solta-me as correntes ... pesam muito!». Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. As suas últimas palavras foram: «Nossa Senhora! Nossa Senhora!», enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus. Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver pela última vez a sua «Santa Irmã Morena», e pedir-lhe a sua proteção lá do céu. Muitas são as graças alcançadas por sua intercessão.

Santa Madalena de Canossa

Madalena Gabriela Canossa nasceu no dia 1º de março de 1774 na cidade italiana de Verona, que pertencia à sua nobre e influente família. Seu pai faleceu quando tinha cinco anos. Sua mãe abandonou os filhos para se casar novamente. As crianças foram entregues aos cuidados de uma péssima instituição e Madalena adoeceu várias vezes. Por essas etapas dolorosas, Deus a guiou por estradas imprevisíveis. Aos dezessete anos, desejou consagrar sua vida a Deus e por duas vezes tentou a experiência do Carmelo. Mas sentiu que não era esta a sua vida. Retornou para a família, guardando secretamente no coração a sua vocação. No palácio, aceitou a administração do vasto patrimônio familiar, surpreendendo a todos com seu talento para os negócios. Entretanto, nunca se interessou pelo matrimônio. Os tristes acontecimentos do século, políticos, sociais e eclesiais, marcados pelas repercussões da Revolução Francesa, bem como as alternâncias dos vários imperadores estrangeiros na região italiana, deixavam os rastros na devastação e no sofrimento humano, enchendo a sua cidade de pobres e menores abandonados. Em 1801, duas adolescentes pobres e abandonadas pediram abrigo em seu palácio. Ela não só as abrigou como recolheu muitas outras. Pressentiu que este era o caminho do espírito e descobriu no Cristo Crucificado o ponto central de sua espiritualidade e de sua missão. Abriu o palácio dos Canossa e fez dele não uma hospedaria, mas uma comunidade de religiosas, mesmo contrariando seus familiares. Sete anos depois, superou as últimas resistências de sua família, deixando em definitivo o palácio. Madalena foi para o bairro mais pobre de Verona, para concretizar seu ideal de evangelização e de promoção humana, fundando a congregação das Filhas da Caridade, para a formação de religiosas educadoras dos pobres e necessitados. Seguindo o exemplo de Maria, a Mãe Dolorosa, ela deixou que o espírito a guiasse até os pobres de outras cidades italianas. Em poucos anos as fundações se multiplicaram, e a família religiosa cresceu a serviço de Cristo. Madalena escreveu as Regras da Congregação das Filhas da Caridade em 1812, as quais, após dezesseis anos, foram aprovadas pelo papa Leão XII. Mas só depois de várias tentativas mal-sucedidas Madalena conseguiu dar andamento para a Congregação masculina, como havia projetado inicialmente. Foi em 1831, na cidade de Veneza, o primeiro oratório dos Filhos da Caridade para a formação cristã dos jovens e adultos. Ela encerrou sua fecunda existência terrena numa Sexta-Feira da Paixão. Morreu em Verona, assistida pelas Filhas, no dia 10 de abril de 1835. As congregações foram para o Oriente em 1860. Atualmente, estão presentes nos cinco continentes e são chamados de irmãs e irmãos canossianos. Em 1988, o papa João Paulo II proclamou-a santa Madalena de Canossa, determinando o dia de sua morte para seu culto litúrgico.

Santa Clara de Assis

Luz que iluminou o mundo!
Alguns traços da vida e da obra de uma Santa que, como São Francisco, marcou sua época. Os que conviveram com ela não acreditavam “que de Nossa Senhora Bem-aventurada Virgem Maria para cá tivesse havido jamais alguma mulher de maior santidade do que ela”Num Domingo de Ramos, dia 18 de março de 1212, uma jovem, aos dezoito anos de idade, foge da casa de seus pais e se encaminha para a igrejinha da Porciúncula (na atual basílica de Santa Maria dos Anjos), onde São Francisco de Assis e seus Frades, em oração, aguardavam sua chegada. Com círios acesos, os religiosos saem ao encontro da jovem, então luxuosamente adornada com seus trajes de fidalga, em direção à porta da igrejinha. Conduziram-na diante do altar de Nossa Senhora e a uniram para sempre ao seu Esposo Jesus Cristo. Ali mesmo, em presença de amigas e dos religiosos, São Francisco lhe corta os belos cabelos loiros. Essa tonsura é sinal de que a jovem, Clara de Assis, pertence virginalmente a Nosso Senhor. Após esse ato, os Frades a acompanham até o mosteiro das Beneditinas de Bastia. Irredutível resistência à família, por amor à vocaçãoEntretanto, os familiares reagem com grande indignação a esta fuga. Mas a Santa não se entrega, permanecendo irredutível. Quando percebe que a violência está por prevalecer, agarra com uma mão a toalha do altar e com a outra tira o véu da cabeça… Aí seus parentes constatam que ela já é de Nosso Senhor, e as esperanças de demovê-la caem por terra.Depois da Páscoa, Santa Clara sai da cidade de Bastia e vai para o mosteiro das Beneditinas de Sant’Angelo di Ponzo, onde, dezesseis dias depois de sua fuga, no dia 4 de abril, é alcançada pela sua irmã mais nova, Santa Inês, que também fugira de casa, querendo firmemente dedicar-se ao serviço de Deus.A encantadora cidade de Assis fica em polvorosa e se divide: uns estão a da família das Santas; outros, das “fugitivas”. Desta vez, porém, o pai está decidido a reaver viva ou morta sua filha mais nova. Doze cavaleiros, parentes das Santas, invadem sacrilegamente o mosteiro de Sant’Angelo. Um deles, chamado Monaldo, enfurecido, lança-se sobre Inês a socos e ponta-pés, arrastando-a pelos longos cabelos, enquanto outros agarram-na pelos braços e pelas vestes. E lhe infligiram tão desapiedados tratos, que pelo chão ficaram pedaços da roupa e punhados de cabelos. E assim conduziram-na montanha abaixo. Santa Inês, contudo, grita pela irmã, a qual se põe a rezar em seu favor. Então, pela graça de Deus, repentinamente Inês caiu estendida no caminho, e tornou-se de um peso tal, que os doze homens, nem mesmo com o auxílio de alguns lavradores, conseguiram arrastá-la.Mesmo assim continuaram as crueldades. O tio Monaldo alçou o braço direito para descarregar um golpe sobre Inês, que bastaria para dar-lhe a morte, se a houvesse alcançado. No ato de erguer a mão, porém, esta se lhe contraiu, e assim ficou por bastante tempo. Deixaram então Santa Inês na estrada e fugiram.Fundação das ClarissasAlguns dias após esses fatos, São Francisco de Assis faz uma visita ao mosteiro e reveste também Santa Inês do hábito da Ordem Segunda Franciscana, consagrando-a para sempre a Nosso Senhor. E escolhe para ambas as irmãs uma casa definitiva: a pobre residência da igreja de São Damião, situada fora dos muros de Assis.Em pouco tempo, com outras jovens da cidade e de Perúsia, Santa Clara e Santa Inês formam a primeira comunidade das Irmãs Pobres de São Damião, que passarão a chamar-se Clarissas, após a morte de Santa Clara de Assis, ocorrida a II de agosto de 1253.Refúgio em PerúsiaEm 1198,o povo da comuna de Assis elege os cônsules para administrar a cidade, derrubando um a um, todos os castelos dos “Maiores”. Os Beneditinos do Monte Subásio acolhem os nobres refugiados… Mas muitos deles fogem de Assis.Favorino Offreducci, pai de Santa Clara, refugia-se com sua família em Perúsia, onde permanece até 1209. Ao lado de sua mãe, Santa Clara cresce cortês e afável com todos, dedicando-se à oração e às obras de caridade, criando laços de amizade com outras meninas também exiladas em Perúsia, algumas das quais haveriam de acompanhá-la em Religião. Em 1209, Clara está novamente em Assis, onde, após ouvir uma pregação do grande São Francisco, decide consagrar-se inteiramente a Deus.Enfrenta os sarracenosFrederico II, Imperador da Alemanha, perjuro, sacrílego e várias vezes excomungado, por ter sucessivas querelas com diversos Romanos Pontífices, fazia guerra à Igreja e sobretudo aos religiosos. Para tanto tinha a soldo um exército de sarracenos com mais de vinte mil soldados, fixado na Itália, e particularmente no vale de Espoleto, pertencente à Santa Sé, e onde ficava Assis.Certo dia do ano de 1243, estando Santa Clara acamada, ouviu suas religiosas em lágrimas lhe dizer, com grande pavor, que uma tropa de maometanos tinha invadido o claustro externo da igreja de São Damião e já escalavam as muralhas do mosteiro. A Santa, sem se espantar, ordenou que a levassem, doente como estava, à porta do mosteiro bem em face do inimigo.Ali, precedida de uma caixinha de prata guarnecida de marfim, contendo o Santíssimo Sacramento, ela se prosternou, em lágrimas, dizendo a Nosso Senhor Sacramentado a seguinte oração: “Senhor, guardai Vós estas vossas servas, porque eu não as posso guardar”. Ouviu-se então uma voz de maravilhosa suavidade dizendo: “Eu te defenderei para sempre”. Santa Clara rezou ainda pela cidade de Assis: “Senhor, que Vos apraza defender também a esta vossa cidade”. E a mesma voz disse: “A cidade sofrerá muitos perigos, mas será defendida “. Após o que Santa Clara se voltou para as Irmãs, dizendo: “Não fiquem com medo, porque eu sou a sita garantia de que não vão passar nenhum mal, nem agora nem no futuro, enquanto se dispuserem a obedecer os Mandamentos de Deus”. Os sarracenos foram embora sem fazer qualquer mal ou causar prejuízo ao mosteiro e às religiosas.Aparições do Menino JesusDepondo sob juramento no processo de canonização, a Irmã Francisca de Messer Capitaneo de Col de Mezzo conta que certa vez viu no colo de Santa Clara, bem junto ao seu peito, uma criança belíssima, que só de vê-la sentia indizível suavidade e doçura. E que não tinha a menor dúvida de que se tratava do Menino Jesus.Em outra ocasião ainda, julgando as Irmãs que a Santa estava para morrer, chamaram um sacerdote para dar-lhe a Comunhão. A mesma Irmã Francisca viu sobre a cabeça da Santa um esplendor muito grande e a Sagrada Eucaristia tinha o aspecto de uma criança pequena e belíssima. Depois de comungar, Santa Clara disse: “Foi tão grande o benefício que Deus me fez hoje, que com ele não poderiam ser comparados o céu e a terra”.Milagres operados por Santa Clara em vidaEm certa ocasião, como não houvesse mais do que meio pedaço de pão para a refeição das Irmãs, Santa Clara mandou dividir essa metade em porções para dar às religiosas. Aquele pedaço multiplicou-se nas mãos da que o partia de tal forma que deu para cinqüenta porções, suficientes para as Irmãs que já estavam sentadas à mesa.Mas a Santa, além de operar muitos milagres, exerceu também ação exorcística. Como exemplo, cabe lembrar o caso da mulher de Pisa. Dizia esta que Nosso Senhor, pelos méritos de Santa Clara a havia libertado de cinco demônios que a atormentavam, e que. por isso, tinha vindo ao locutório das Irmãs para agradecer primeiro a Deus e depois à Santa. Ao serem expulsos, afirmou a mulher que os demônios bradavam: “As orações dessa santa nos queimam”.Milagres após a morteDepois de sua morte multiplicaram-se os milagres junto a sua sepultura. Assim, curou um epiléptico que. ademais, tinha uma das pernas atrofiadas. Ali receberam a cura integral pessoas cegas, corcundas, aleijadas em geral, possessas e loucas.Santa Clara escritoraSanta Clara foi excelente escritora. Tendo recebido em casa uma formação muito boa para seu tempo, teve o dom de expressar em seus escritos toda a riqueza de seu pensamento claro, conciso, elegante e principalmente entusiasmado por tudo quanto dizia respeito a Deus.O que se conhece de seus escritos revela uma mulher inteligente e culta, que sabe muito bem o que quer e o exprime de maneira muito feliz. Dominava bastante bem o uso do latim, distinguindo-se pela simplicidade, clareza e objetividade.“Falo com minha própria alma”Três dias antes de sua morte, em presença de algumas de suas Irmãs, Santa Clara encomendou sua própria alma a Deus dizendo: “Vá em paz, porque tens boa escolta; pois aquele que te criou, previu tua santificação. E, depois que te criou, infundiu-te o Espírito Santo. E depois te guardou como uma mãe cuida do seu filho pequenino”.Indagada a quem dirigia aquelas palavras respondeu: “Falo com a minha alma bendita”.Visita de Nossa Senhora à hora da morteÀs vésperas da morte de Santa Clara tinha-se a impressão de que a corte celestial se movimentava para preparar suas honras fúnebres.A Irmã Benvinda de dona Diambra de Assis, que a assistia nos últimos momentos, viu de repente com os olhos reais uma grande multidão de virgens, vestidas de branco, todas com coroas na cabeça, que entravam pela porta onde jazia Santa Clara. Entre elas havia uma maior, que excedia tudo quanto se possa imaginar, muito mais bela e com uma coroa maior na cabeça. Em cima de sua coroa havia um pomo dourado do qual irradiava tanto esplendor que parecia iluminar todo o recinto.As virgens aproximaram-se do leito da Santa, e a Virgem maior foi a primeira a cobri-la com um pano finíssimo, tão fino que por sua transparência Santa Clara podia ser vista mesmo coberta com ele. Então a Virgem das virgens inclinou o seu rosto sobre a Santa e após isso todas desapareceram…Considerações finaisQuem ler a Legenda de Santa Clara, escrita por Tomás de Celano, não se surpreenderá vendo-a cantar tantos louvores à Santa. Escrita por ocasião de sua canonização, em 1255, era natural que sua tarefa fosse louvá-la efusivamente.Entretanto, é impressionante que o mesmo Celano, ao escrever a primeira biografia de São Francisco de Assis, em 1228, quando Clara não tinha mais do que 34 anos de idade (dos sessenta que deveria viver, quarenta e dois dos quais como Abadessa das Irmãs Pobres de São Damião) já fale dela como de uma santa canonizada:“Clara…. virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria, sobressaiu na humildade. Foi clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes….“Clara de verdade pela santidade de seus merecimentos ….”Mas, quando o Processo de Canonização de Santa Clara foi descoberto, em 1920, é que se fica sabendo da forte impressão que ela exerceu sobre seus contemporâneos, desde criança: tanto as irmãs como os leigos que depõem ficam sem palavras para comentar a santidade dessa mulher que, para eles, “abaixo da Virgem Maria”, não devia ter igual.Leitor, se em meio às vicissitudes dos dias atuais, necessitas por ventura de alguma ajuda muito especial, pede-a a Santa Clara, quem, no Céu, bem junto ao Imaculado Coração de Maria, rogará também insistentemente por ti!

S. VILMOS APOR

Bispo, Mártir, Santo(1892-1945)
Vilmos Apor nasceu a 29 de Fevereiro de 1892, em Segesvár, filho de uma nobre família húngara. O pai morreu quando ele era muito pequenino, e foi a mãe que o educou com profundo fervor religioso. Completados os estudos no Liceu dos jesuítas, decidiu entrar no Seminário e depois frequentou a Universidade Católica de Innsbruck (Áustria), onde obteve o doutoramento em Teologia. Recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 24 de Agosto de 1915, incardinando-se na diocese de Nagyvárad, onde iniciou o ministério como vice-pároco em Gyula; durante a guerra foi capelão militar por um breve período. Tendo retornado a essa localidade, foi nomeado pároco e realizou o seu ministério com profunda sabedoria e zelo pastoral: dedicou-se à formação dos jovens, criando para isto um colégio, e à assistência aos pobres, contando com a ajuda de várias Congregações religiosas. Em 21 de Janeiro de 1941, Pio XII nomeou-o Bispo de Györ, tendo recebido a Ordenação episcopal a 24 de Fevereiro daquele mesmo ano. O seu zelo pastoral ampliou-se em favor de todo o rebanho: cuidou da formação e união do clero, fortaleceu a educação moral e religiosa da juventude, promoveu o apostolado dos leigos e aumentou a sua caridade para com os pobres e necessitados. Com vigor tomou posição em defesa das vítimas da injustiça, sobretudo contra as leis raciais. Em 1945 um soldado russo atirou nele porque defendia a integridade física de um grupo de mulheres, que se tinham refugiado na residência episcopal. Atingido na cabeça, na mão e no estômago, foi logo socorrido e levado para o hospital a fim de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, porém, não resistiu por muito tempo. Deu graças a Deus por ter aceite o seu sacrifício em favor daquelas mulheres que saíram ilesas do cerco militar, e as suas últimas palavras foram de prece pelos sacerdotes, fiéis e povo húngaro. Morreu no dia 2 de Abril de 1945, confiando a sua alma à misericórdia de Deus. Foi sepultado na cripta da igreja dos carmelitas, e o seu confessor pediu às autoridades eclesiásticas que imediatamente se abrisse o processo de beatificação, pois o Bispo era verdadeiramente um santo e mártir. Hoje, os restos mortais de D. Vilmos encontram-se na capela Hédervári da Basílica de Györ, onde é venerado por muitos fiéis. A 7 de Setembro de 1996, por ocasião da sua segunda visita pastoral na Hungria, também João Paulo II foi àquela capela para orar pelo Bispo mártir

S. Zeno de Verona

Nascido Norte da África e faleceu em Verona no dia 12 de abril de 371. As festas adicionais em Verona são celebradas no dia 12 de maio –traslado de suas relíquias e 6 de dezembro– sua consagração episcopal. Como em seus sermões Zeno descrevia como uma testemunha ocular o martírio de São Arcadius, provavelmente ele nasceu na Mauritânea perto de Algéria em torno de 302 DC. Em 8 de dezembro de 362 no reinado de Juliano São Zeno foi consagrado Bispo de Verona, possivelmente pelo Arcebispo Aussenzius de Milão.Logo após a sua chegada em Verona, ele combateu ferozmente idolatria que havia se espalhado pela cidade e conseguiu até mesmo reduzi-la nas regiões vizinhas onde o paganismo estava muito mais entrincheirado. Ele se opôs ao Arianismo e defendeu a eterna geração do Verbo, em íntima união com o Espírito Santo o Filho e o Pai. Seu sucesso em parte se deve a sua notável capacidade como orador. Zeno atraia multidões em seus sermões, 93 dos quais ainda existem, a mais antiga coleção de homilias em Latim que ainda existem. De fato multidões eram tão massivas que Zeno foi obrigado a construir uma catedral maior. Cada Páscoa muitos corações eram convertidos e batizados na nova fé. Ele pregava freqüentemente para um grupo de freiras que viviam em um Convento em Milão e ( muito antes de Santo Ambrósio) ele já encorajava as virgens que viviam em casa a se consagrarem. Enquanto Zeno tinha a reputação de um pastor muito trabalhador que com o maior zelo construía igrejas, ele é lembrado primeiramente com um escritor eclesiástico especialmente em tópicos como a virgindade de Maria no nascimento do Senhor.Seus sermões são de especial interesse para a informação, e fornecem ao ensinamento do Cristianismo, organização, culto, adoração e a vida no 4º século. Ele salientava a importância dos sacramentos para vida cristã. Para ele Batismo era o “Sacramento que de verdade que chama os homens mortos para a vida” . Embora seus sermões nunca mencionaram a Eucaristia ele indiretamente enfatizava a sua importância ao falar “do precioso pão e o vinho que vem da mesa do Pai ” e advertia ao seu rebanho que “nunca deviam tomar o Sacrifico sem estar preparado porque oferecer o sacrifico sem preparo era sacrilégio e tomando-o assim era mortal”. São Zeno oferece um conselho prático para a vida cristã. Ele nota que a fé na verdade revelada por Deus era necessária, mas importante para a eterna salvação era a caridade. Muitos detalhes a cerca da vida de Zeno vem de documento medievais.De acordo com estas historias Zeno gostava de pescar no Rio Adige ( o segundo maior da Itália) que percorre Verona e ele tinha sido um pescador antes de ser consagrado. Por esta razão ele escolhia viver em grande pobreza e reclusão. Pelos seus preceitos e o seu exemplo o povo era liberal nas suas dádivas e as suas casa eram sempre abertas para estrangeiros pobres, às vezes até mesmo desconhecidos e nem chegavam a pedir abrigo. Ele os congratulava em não serem avarentos e guardarem alem do necessário e sim ajudarem aos pobres.“Para que ser mais rico que o homem que Deus o tem como devedor? ”Esta inspiração de caridade provou ser vital quando os Godos conquistaram a vizinhança e tomaram vários cativos. O povo de Verona era os que mais ofereciam suas possessões para resgatar prisioneiros. Zeno é tido como tendo salvo Pistoia, Itália da inundação criada pela confluência dos rios Arno e Ombrone no que agora é conhecido como o Passo de Gonfolina e doura feita com narra Gregório o magno, o milagre que teve lugar dois séculos após a morte de Zeno baseado em testemunhas. Em 589 o Rio Adige ameaçou Verona e o povo correu para a igreja de seu padroeiro Zeno. As águas pareceriam respeitar as portas e apesar de estarem muito altas( elas ficara tão altas quando as janelas) mas nunca as águas entraram em sua igreja. A devoção a São Zeno cresceu por este e outros milagres e no reinado de Pepin, filho de Carlosmagno o Bispo Rotadus de Verona, trasladou as relíquias de Zeno para uma nova e espaçosa Catedral. Seu corpo hoje está em uma magnífica igreja Romanesca na Itália, a Igreja de São Zeno Magiore em Verona. No “timpanum” sobre a porta oeste está esculpido o santo de pele escura segurando uma vara de pescar enquanto pisa no demônio. A tumba de Zeno é grande, uma cripta do 12 º século onde ele foi colocado depois de estar em várias igrejas. Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como um Bispo com um peixe ou segurando uma vara de pescar ou segurando o seu báculo.Ele é invocado como protetor das crianças para falar e andar, e é o padroeiro de Verona.. Sua festa é celebrada no dia 12 de abril.

Santa Regina

De acordo com a tradição ela era filha de Clement Alise e um pagão de Burgundy, França e após a morte de sua mãe ela foi criada como uma cristã pela uma mulher encarregada de cria-la. Quando pai ficou sabendo de sua cristandade expulsou-a de casa e ela foi forçada viver com a mulher que a criava e foi trabalhar como pastora de ovelhas. Diz ainda a tradição que ela era muito linda e o prefeito local, um pagão chamado Olybrius enamorou-se dela e deseja sua mão em casamento, mas ela recusou. Ele mandou prende-la por ser cristã e mandou tortura-la para que ela renegar a sua fé e oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. Como ele tinha que viajar ele mandou acorrenta-la com um anel de ferro na cintura preso as paredes da cela. Ao retornar ele tentou de novo persuadi-la a tornar-se sua esposa. De novo rejeitado ele mandou que ela fosse acoitada deitada sobre um cavalo de madeira, arrancar as unhas de seus dedos e sua pele arrancada por ganchos de ferro. Regina recuperou-se dos seus ferimentos, como por milagre logo após voltar a sua cela. Uma noite na prisão ela teve uma visão da cruz e uma voz disse a ela que ela seria libertada em breve. No dia seguinte Olybrius começou o processo novamente desta vez usando tochas no seu corpo, crucificando-a e finalmente como ela não cedesse, furioso mandou decapita-la. Muitas testemunhas teriam sido convertidas no final do seu martírio porque uma pomba branca havia pousado em sua cabeça pouco antes dela ser decapitada, e como o carrasco a expulsasse ela ficava a voar sobre ela. Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada como uma virgem presa a uma cruz e com tochas sendo aplicada nos seus lados, ou 2) com uma pomba circulando acima de sua cabeça, ou 3) na prisão com um pomba e uma cruz brilhante, ou 4) com um cordeiro junto dela, ou 5) acoitada com barras de ferro . Ela é muito venerada em Autun, França e no sul da Alemanha

Santa Rebeca

Nasceu em de 29 de junho de 1832 em Himlaya, Líbano como Boutrossieh Ar-Rayes. Filha única de Mourad Saber Shabaq al-Rayes e Rafqa Gemayel. Sua mãe morreu quando Rebeca tinha apenas 6 anos e sua madrasta a educou. Ela trabalhou como domestica dos11 aos 15 anos e aos 14 anunciou que iria seguir a vida religiosa. Seu pai se opôs assim somente com 21 anos que ela se tornou uma freira na Ordem Mariana da Imaculada Conceição em Bikfeya tomando o nome religioso de Anissa (em homenagem a Santa Agnes) e tomando os votos definitivos em 1856. Em 1871 sua ordem se fundiu com a Ordem do Sagrado Coração de Jesus. Foram dadas as freiras a opção de entrar para a Ordem Combinada ou ir para outra Ordem ou deixar os votos. Santo Antônio, o Abade conhecido no Brasil com Santo Antônio Abade ou SantoAntão apareceu para ela em um sonho e seguindo suas ordens ela se juntou a Ordem de Santo Antônio dos Maronitas (Ordem dos Baladiya) em 12 de julho de 1871 como noviça com a idade de 39 anos , tomando o novo nome de Rebeca. Na festa do santo rosário em 1885 Rebeca rezou para que Cristo desse a ela sofrimentos similares. Sua saúde então começou a deteriorar e ela logo ficou quase cega e aleijada. Ela ficou os próximos 30 anos em orações sempre que podia e insistia que ela podia, apesar de ter problemas em manejar o tear e costurar. Em 1907 ela estava completamente cega e paralítica. Em 1981 os relatórios médicos apresentados no processo de canonização especialistas em oftalmologia , neurologia e ossos diagnosticaram que a causa de seus problemas seria tuberculose com localização ocular e na espinha com dores terríveis, mas Rebeca nunca reclamou de nada e agradecia a sua especial forma de comunhão com Jesus. Mais tarde sua amiga a Madre Superiora Ursula Doumit, ordenou que ela ditasse sua biografia e Rebeca obedeceu. Próximo ao dia de sua morte Rebeca rezou pedindo para que sua vista voltasse por uma hora para que ela pudesse ver o rosto de Madre Ursula e sua vista voltou, milagrosamente, por uma hora. Começando quatro dias após a sua morte vários milagres foram reportados em seu túmulo, e creditados a sua intercessão, sendo o primeiro o da Madre Doumit cuja garganta estava fechada por vários anos e ela estava em perigo de morrer de fome. Milagrosamente sua garganta sarou. Elizabeth En-Naktel de Tourza do norte do Líbano, foi curada de um câncer uterino em 1938 por intercessão de Rebeca e este milagre muito bem comprovado permitiu sua beatificação. Faleceu em 23 de março de 1914 no convento de São José em Grabata Líbano . Foi beatificada em 17 de novembro de 1985 pelo Papa João Paulo II. E canonizada em 10 de junho de 2001 pelo Papa João Paulo II. É padroeira dos doentes, da Paroquia Maronita em Porto Alegre e Katolske Kirke Norge na Noruega e da Igreja Maronita da Austrália

Santa Luzia

Ó Santa Luzia, que preferistes deixar que vossos olhos fossem vazados e arrancados ante negar a fé e conspurcar vossa alma; e Deus, com um milagre extraordinário, vos devolveu outros dois olhos, sãos e perfeitos, para recompensar vossa virtude e vossa fé,e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos, eu recorro a vós para que proteja minhas vistas e cureis a doença de meus olhos. Ó Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da Criação, o brilho do sol, o colorido das flores, o sorriso das crianças. Conservai também os olhos de minha alma, fé, pela qual eu posso conhecer o meu Deus, compreender os seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós, Santa Luzia,vos encontrais em companhia dos anjos e santos. Santa Luzia, protegei os meus olhos e conservai minha fé. Amém

S. CAMILO DE LELIS

Presbítero, Fundador, Santo1550-1614 Um gigante da caridade
De temperamento arrebatado, jogador contumaz, passou sua juventude entre o baralho, os dados e as armas. Uma chaga providencial na perna foi ocasião para que ele conhecesse o mundo do sofrimento e da verdadeira caridade, chegando, por esse caminho, a descobrir sua vocação para a santidade. Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos Abruzzos, no antigo Reino de Nápoles. Como aconteceu com São João Batista, sua mãe já era avançada em idade quando o concebeu. O pai, a serviço das armas, vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Como poderia uma mãe idosa educar um menino que se tornou muito crescido para sua idade, e de um temperamento belicoso como o sangue que lhe corria nas veias? Apesar disso, conseguiu ensinar-lhe os rudimentos da Religião. Mas, sem que ela o soubesse, a par disso o menino aprendia também o segredo dos naipes e dos dados, e aos 12 anos já era um viciado jogador. Entre o jogo e as armas Com a morte da mãe, Camilo entregou-se desvairadamente ao jogo, perdendo tudo o que tinha. Entrou então para o exército, onde aprendeu as virtudes e os vícios dos soldados. Com o pai, foi alistar-se no exército que a República de Veneza meritoriamente recrutava para combater os turcos muçulmanos. Mas no caminho seu pai, João de Lelis, faleceu e foi enterrado perto de Loreto. Da herança de seu progenitor, Camilo recebeu um arcabuz e uma espada; e da herança divina, uma chaga misteriosa na perna, que aparecerá sempre que necessário, para conduzi-lo ao caminho de sua futura vocação. A fome e a miséria, e sobretudo a supuração de sua chaga, fizeram-no desistir da carreira militar. Tocado pelo exemplo de dois franciscanos, com sua modéstia e doçura, Camilo fez voto de ser um deles. Mas por causa da chaga, não foi recebido. Acabou indo para Roma, sendo recebido no Hospital dos Incuráveis como enfermeiro, para curar a perna e ganhar algum dinheiro. Mas a paixão do jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir atrás das cartas. Como incorrigível, foi expulso do hospital. Combatia como herói, jogava como um demónio Pensou novamente na carreira das armas e entrou, a serviço delas, em um navio veneziano que partia para o Oriente. Participou de várias batalhas, e por estar gravemente enfermo não pôde combater em Lepanto, a famosa batalha em que Nossa Senhora apareceu e deu a vitória aos católicos contra os muçulmanos. Enquanto lutava como um herói, jogava como um demónio. Uma violenta tempestade no mar fez com que ele, assustado, se lembrasse do voto de tornar-se franciscano. Passada a tormenta, esqueceu-se novamente do voto, continuando na carreira das armas e subjugado pelo vício do jogo. Retornou a Roma para cuidar da chaga, que lhe reaparecera na perna. Mas perdeu no jogo até a camisa do corpo. Saiu da cidade, e em Manfredónia foi recebido pelos capuchinhos. O superior do convento, notando-lhe algo de especial, falou-lhe de Deus e da vocação religiosa. Camilo, tocado pela graça, converteu-se, sendo recebido como postulante. Quando passava pela vila, conduzindo duas mulas do convento, a criançada corria atrás dele gritando: “Aí vem o São Cristóvão, aí vem o São Cristóvão!”, devido à sua elevada estatura. Na escola, humildemente entre os meninos Quis continuar seus estudos, para ordenar-se sacerdote. Como Santo Inácio de Loyola, assentou-se nos bancos escolares com os meninos, o que o tornava sobremodo notório pela sua estatura, tão mais elevada que a de seus condiscípulos. Entretanto, não era desígnio de Deus que ele permanecesse entre os franciscanos. A úlcera reapareceu em sua perna e eles, pesarosos, o despediram. Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos até a úlcera ser curada. Julgou então seu dever voltar para os franciscanos, apesar de seu confessor, São Felipe Néri, o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital. Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo enquanto cuidava dos doentes, exclamou: “Ah! Seria necessário aqui homens que não fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro, mas pelo amor de Nosso Senhor; que fossem verdadeiras mães para esses pobres doentes, e não mercenários. Mas, onde encontrar tais homens?”. Começou então a ruminar o pensamento da fundação de uma Ordem religiosa para essa finalidade. Nasce a Ordem dos Camilianos Logo se lhe juntaram mais quatro discípulos, com os quais ele se reunia para rezarem e meditarem juntos, e depois cuidarem dos enfermos. Era o núcleo de sua futura congregação. Nas mil e uma dificuldades que surgiram para a consecução desse fim, ele sempre encontrava consolo em Nosso Senhor crucificado, que lhe dizia: “Não temas nada, eu estarei contigo”. Camilo terminou seus estudos e foi ordenado sacerdote, rezando sua primeira Missa em 10 de junho de 1584. Ele foi encarregado da capela de Nossa Senhora dos Milagres, fundando ali sua Congregação. Esse pequeno núcleo inicial dividia o tempo entre a prece e o cuidado dos doentes. Iam seus membros cada dia ao grande hospital do Espírito Santo, onde consolavam os enfermos, arrumavam seus leitos, varriam as salas, faziam curativos em suas chagas e preparavam os remédios que lhes eram prescritos. Mas cuidavam especialmente de suas almas, preparando os doentes para receber os últimos sacramentos, ajudando-os com suas preces e não se separando deles senão depois de suas mortes. Confiança absoluta na Divina Providência A Congregação nascente, por causa de sua caridade, encontrava-se cheia de dívidas. Certo dia em que os sacerdotes estavam muito tentados por essa razão, Camilo disse-lhes que era preciso confiar na Providência, como Nosso Senhor tinha dito a Santa Catarina de Siena: “Pensa em mim, que eu pensarei em ti”. E profetizou: “Antes de um mês estaremos com todas as dívidas pagas”. E realmente, antes de 30 dias um benfeitor faleceu, deixando-lhes considerável soma. Os Ministros dos Enfermos, como eram chamados seus filhos espirituais, aos poucos foram abrangendo outras obras de caridade. Camilo quis que eles servissem também aos doentes atacados pela peste, aos prisioneiros, aos feridos em campos de batalha e aos que estivessem morrendo em suas próprias casas. Sixto V confirmou a Congregação em 1586 e ordenou que ela fosse governada por triénio. São Camilo naturalmente foi eleito seu primeiro superior. Os primeiros dois mártires da caridade Aos poucos a obra foi se alastrando pela Itália. Primeiro foi o Reino de Nápoles que convidou os camilianos a fundar uma casa. Lá eles chegaram praticamente com a peste, e entregaram-se imediatamente ao atendimento dos empestados das galeras, que ninguém desejava socorrer. Dois dos discípulos de Camilo foram vítimas de sua heróica abnegação e morreram em consequência de sua caridade. Em 1590 houve uma grande carestia em toda a Itália. Os pobres foram obrigados a se alimentar de animais mortos e de ervas. São Camilo passava pelas ruas de Roma, levando pão e vestes para os necessitados. Além da fome sobreveio o frio, que foi muito rigoroso naquele ano. Conta-se que o número de mortos em Roma e arredores foi de 60 mil. Muitas vezes, Camilo entregava seu próprio manto a pobres que estavam morrendo de frio. Chegou a dar o último saco de farinha que havia no convento. Seus religiosos fizeram-lhe ver que eles próprios arriscavam-se a morrer de fome. O Santo respondeu-lhes então que os pássaros do céu não semeavam nem colhiam, e que entretanto Deus os alimentava; quanto mais a eles, que eram seus filhos. Nesse mesmo dia, um padeiro da cidade trouxe-lhes o pão necessário, prometendo que lhes traria aquele alimento diariamente, até o fim da crise. Presença imponente, energia contra blasfemadores Em 1591, o Papa Gregório XIV erigiu a nova congregação em Ordem religiosa com o privilégio das mendicantes, sob obrigação de fazerem os três votos: pobreza, obediência e castidade. Seus membros eram proibidos de passar para outra comunidade religiosa, exceto a dos Cartuxos. São Camilo era de uma imponente presença. Com mais de um metro e noventa de altura, corpo bem proporcionado, cabeça ereta, olhos escuros, um véu de tristeza parecia recordar-lhe a todo momento o pesar pela vida passada. Sua voz tinha matizes graves e severos, mas ficava inteiramente transformada quando falava da caridade. Uma testemunha diz que muitas vezes viram seu rosto coberto de chamas. Não tinha muito estudo, mas possuía uma sabedoria toda divina para o governo de sua Ordem e o cuidado dos enfermos. Certa vez, passando pelo porto, ouviu alguns marujos blasfemarem. Saltou na coberta da nave, com um Crucifixo na mão, e lhes disse irado: “Miseráveis! Não sei como Deus tem paciência com vocês e o mar não os traga, ou um raio não os carboniza”. Caridade extrema até nas vésperas da morte Após a realização do quinto capítulo da Ordem em Roma, em 1613, ele foi visitar suas outras casas com o novo superior geral. De volta à Cidade Eterna, esgotado já pelas fadigas e sofrimentos, soube que brevemente chegaria a hora de comparecer perante o tribunal divino. A úlcera na perna acompanhou São Camilo por mais de 40 anos, até o fim de sua vida. Foi ele também atacado por outras moléstias, levando uma vida de sofrimentos. Em sua última doença, quis ficar no hospital, e levantava-se de gatinhas do leito para ir cuidar dos enfermos. Enfim, no dia 14 de julho de 1614, como havia predito, entregou sua alma a Deus. Tinha 64 anos de idade. Muitos milagres se operaram em seu túmulo. Em 1742 foi ele beatificado por Bento XIV, que também o canonizou quatro anos depois.